quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Coração Tranquilo: ressignificando a Haṃsa Tattoo

Hoje faz seis meses que viajei para São Paulo para realizar a segunda cirurgia. Saímos cedo e fomos para o apartamento de minha mãe. Almoçamos no restaurante vegano Annaprem e seguimos para o ICESP.  Foi nesta cirurgia que ganhei a minha "Haṃsa Tattoo". O vídeo abaixo ilustra o que ela significa para mim: "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo", como  diz o mantra do socialista zen Walter Franco.


A cicatriz que carrego no pescoço é a minha Haṃsa Tattoo, a "tatuagem" que me indica a presença do sagrado alento vital neste corpo do qual me nutro. Ela me protege e abençoa, pois salvou a minha vida e me permite continuar trabalhando pela minha realização e daqueles que me são próximos.

Este Diário é a bússola anti-psicanalítica de que me valho para alcançar o porto seguro do Ser.
Ela representa a minha Ṛṣi-nyāsa1 -- ou seja, a minha disciplina de internalização e incorporação (nyāsa) do ideal de unificação com a esfera dos seres divinos e santos (Ṛṣi). Sempre que caio distraído e necessitado, basta-me lembrar desta sagrada cicatriz e já me alinho, em sintonia e sob o amparo e proteção da Graça Suprema. Ela é o registro histórico de uma iniciação pela dor, como o são,  em sua maioria, os ritos de passagem -- o maior de todos representado pela própria morte (ritos de Śrāddha). Simboliza a advertência contida em Luz no Caminho, de Mabel Collins, de que "Antes que a voz possa falar em presença dos Mestres, deve ter perdido a possibilidade de ferir".  Este tema está magistralmente ilustrado no vídeo abaixo, que exemplifica esta disciplina ióguica de manter o coração tranquilo. O vídeo traz participação de Walter Franco no programa do Jô, em 1990. Walter Franco canta um mantra de sua autoria que nos convida, inclusive, a transcender a  todo o "ódio ideológico", que impede "que este país volte a ter alegria".


(1) Para conhecer a pronúncia das palavras sânscritas veja o nosso resumo do Guia de Transliteração e Pronúncia das palavras sânscritas.

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Rio de Janeiro, 01.12.16.
(Atualizado em 06.04.18)