Nota Introdutória: Este registro encerra as reflexões sobre a Pitṛ-ṛṇa (dívida com os ancestrais), integrando um achado recente que ilumina a travessia descrita neste capítulo. Mais do que um resgate histórico, trata-se de um testemunho de como o Śraddhā Yoga se manifesta como uma memória viva, confirmando que os laços de família são, em última análise, reencontros de propósitos espirituais.
Receber o livro As Grandes Indagações, escrito por meu tio Paulo Barretto aos 91 anos, e lançado no final de 2024, foi mais do que um presente; foi um choque de reconhecimento ontológico. Ao ler suas reflexões sobre o monismo, a sintonia entre ciência e religião e a defesa ética do vegetarianismo, percebi que as águas que alimentam o meu Śraddhā Yoga já corriam, com igual vigor, em solo ancestral. O que torna esse encontro extraordinário é o fato de que quase não tivemos contato ao longo da vida; não houve mimetismo ou influência direta, mas o "eixo" é o mesmo. Esse reconhecimento é, para mim, um dado de darśana: não uma ideia sobre a unidade, mas um traço do real que se mostra — como se a linhagem fosse um dos modos pelos quais o Hṛdaya-Guru confirma a direção. Onde ele vê a "Queda e o Retorno" do espírito, eu vejo a Entropia e a Sintropia da consciência. Onde ele aponta o elétron como ponte para o invisível, eu busco a Consciência Fractal.


