quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Quinto Puruṣārtha (Poder do Coração)

Como Identificar a Voz Oriunda dos Cinco Poderes do Coração?
Sermão da Montanha
Este artigo trata da interpretação sutil, presente no Mahābhārata, dos quatro Puruṣārthas1 (poderes do coração; aspirações humanas) da tradição indiana, subsumidos no quinto e pouco conhecido poder do Espírito, introduzido pelo Senhor Krishna na Bhagavad Gītā. Também discute e contextualiza estes poderes do coração para espiritualizar o mundo material a partir dos valores de nossa própria tradição religiosa.

(I) Uma experiência tipicamente brasileira

Conforme viemos discutindo nos artigos que compõem este presente capítulo, o livro Nos Domínios da Mediunidade, assinado por André Luiz, vale-se do tema da inspiração espiritual, ou das Noúres, para utilizar uma expressão mais técnica e abrangente, de forma a reintroduzir a visão holística presente no paradigmático Sermão da Montanha de Jesus. Mateus apresenta o Sermão da Montanha nos capítulos 5, 6 e 7 do seu evangelho. Uma versão menos conhecida dos ensinamentos aí contidos encontra-se no Sermão da Planície, conforme descrito em Lucas (6:20-49). Ambos os textos tratam da justiça divina e do ensinamento de amor radical, baseados na não-resistência. Entretanto, foi a versão de Mateus que se tornou mais influente ao longo dos séculos. Produzido no seio daquela parcela da comunidade judaica que aceitara Jesus como o Messias enviado para libertar o povo de Israel, o texto dirigia-se tanto aos judeus que haviam se tornado "discípulos", quanto aos judeus que compunham as "multidões". Quando o cristianismo deixou de ser uma pequena parte do judaísmo para se tornar uma religião separada – a religião do Império Romano –, começaram as discussões em torno da interpretação da mensagem contida no Sermão da Montanha. Ao fazer do cristianismo uma Religião-Estado, o Império Romano influencia as interpretações dos ensinamentos de Jesus. E é nesta mudança de uma audiência originalmente local, oprimida e judaica, para outra, universal e romana, que se encontra a razão crucial que leva à releitura e reinterpretação do Sermão da Montanha, conforme o entendimento Espírita sugerido no texto de Chico Xavier.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

033. Cozinhando com o Coração:

Doce de chocolate com raspas de laranja.
RECEITAS DA SEMANA: Massa de pizza e Molho de tomate para pizza. Sugestões para cobertura da pizza: i) rúcula, ii) escarola, iii) champignon, e iv) alcachofra.  Doce de chocolate com raspas de laranja.

Desde 1889, o dia da pizza é comemorado em 10 de julho, quando o rei Umberto I e a rainha Margherita provaram uma pizza pela primeira vez. A receita, elaborada por Rafaelle Esposito, em Napóles, na Itália, no século XIX, foi recheada com ingredientes que remetiam às cores da bandeira italiana: muçarela (branco), tomate (vermelho) e manjericão (verde), dando origem à pizza Margherita. Então, para celebrar o inverno e o mês desta iguaria apreciada por todos, sugerimos uma segunda rodada de pizzas saudáveis e veganas. Fáceis de fazer, saborosas e nutritivas…

Para a massa e molho de tomate para pizza, clique aqui.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Gītā-Upadeśa: o ensinamento iniciático sobre a via luminosa do coração

A Arte e a Ciência da Meditação segundo a Bhagavad Gītā
Representação do Anāhata:
o coração espiritual, sede do Espírito.
Vi outro dia num portal Espírita a seguinte recomendação: “você deve seguir sempre o seu coração”. O portal também sugeria que o conceito de espiritualidade iria, no futuro, ocupar o espaço hoje reservado à “religião” do homem dividido: “Um dia os homens não terão mais rótulos religiosos. Ninguém se dirá católico, protestante, hindu, (...) ou qualquer outra coisa, porque a única identificação que trará consigo será o amor.”  Isto me trouxe alegria e me fez pensar naquelas páginas que escrevera como preparação para a redação da minha tese de doutorado (ver o texto inicial deste capítulo: A Presença dos Ancestrais), a partir do método védico que Pietro Ubaldi batizara no ocidente com o nome de Noúres -- método este também presente, ou ao menos sugerido, no livro Nos Domínios da Mediunidade, de Chico Xavier, que recebera de presente de um amigo espírita que se hospedava em casa durante o período de sua pesquisa acadêmica na McMaster University, a mesma instituição que também me abrigava e a qual eu deveria submeter a minha tese sobre a centralidade de śraddhā na Bhagavad Gītā.

032. Cozinhando com o Coração

A Arte e a Ciência da Meditação segundo a Bhagavad Gītā
RECEITAS DA SEMANA: Massa de pizza, Molho de tomate para pizza e Sugestões para cobertura da pizza: (i) abobrinha grelhada, (ii) Berinjela grelhada, (iii) palmito, e (iv) banana.


Muitos fatos históricos mostram que os egípcios foram os primeiros a misturar farinha com água. Outros afirmam que foram os gregos, que faziam massas a base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e as assavam em tijolos quentes. Os babilônios, hebreus e egípcios já misturavam o trigo e amido e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5.000 anos. A massa era chamada de “pão de abraão”, era muito parecida com os pães árabes atuais e recebia o nome de piscea. Os fenícios, três séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar diferentes coberturas ao pão; os turcos muçulmanos adotavam esse costume durante a Idade Média e, por causa das cruzadas, essa prática chegou à Itália pelo porto de Nápoles, sendo, em seguida, incrementada, dando origem à pizza que conhecemos hoje. No início de sua existência, somente as ervas regionais e o azeite de oliva, comuns no cotidiano da região, eram os ingredientes típicos da pizza. Os italianos foram os que acrescentaram o tomate, descoberto na América e levado à Europa pelos conquistadores espanhóis. Porém, nessa época, a pizza ainda não tinha a sua forma característica, redonda, como a conhecemos hoje, mas sim dobrada ao meio, feito um sanduíche ou um calzone.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Constelação: aonde quer que você esteja, seja a alma do lugar...

Aonde quer que você esteja, seja a alma deste lugar...
A leitura de Nos Domínios da Mediunidade, em atendimento ao convite do amigo que me visitava (ver A Presença dos Ancestrais), fez-me lembrar de Chico Xavier (1910 - 2002) e seus poemas. Não hesitei em incluir este que se segue no texto que estava produzindo àquela época:

Nascestes no lar que precisavas.
Vestistes o corpo físico que merecias.
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada e vivência.
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor!

domingo, 10 de junho de 2018

A Presença dos Ancestrais

Todas as verdades passam por três estágios.
Primeiro,elas são ridicularizadas. Segundo, recebem violenta oposição.
Terceiro, elas são aceitas como auto-evidentes.
Pseudo-Schopenhauer
Corria o ano de 2003 quando fui convidado por um amigo Espírita a refletir sobre a estranha e pouco conhecida relação da intuição, ou inspiração, na elaboração de obras associadas ao sagrado. Àquela época, não tinha condições de dar início ao desafio de redigir uma dissertação, que contemplasse o tópico de minha tese acadêmica e, ao mesmo tempo, respeitasse e valorizasse aquela expressão do sagrado que tanto me fascinava. Tinha consciência dos riscos da empreitada e das críticas que sofreria. Era comum entre acadêmicos, e figuras das principais religiões ocidentais, a crença de que estudos elogiosos aos textos religiosos orientais apenas expressavam uma forma de fé ingênua, ou orientalismo, caracterizada pela falta de racionalidade e representando, portanto, apenas os frutos de um romantismo compreendido como “intelectualmente inferior”. Ainda que relutante, aceitei o convite deste amigo para tomar o livro com o qual havia há pouco me presenteado como uma oportunidade para relaxar e refletir sobre o método mais adequado à redação daquela tese. 

sábado, 2 de junho de 2018

O processo de gestação da Grande Síntese (I)

A Arte e a Ciência da Meditação segundo a Bhagavad Gītā
Capa do Arquivo com os registros das reuniões
de gestação da Grande Síntese.
Conforme mencionei no texto anterior, A Via do Coração: um reencontro com Francisco Barreto, entre janeiro de 1988 e maio de 1989, realizamos, durante as tardes de sábado, no antigo Ashram Ātma, no povoado de Areia Branca, em Aracaju -- SE, uma série de quarenta e dois encontros, denominados de Buddhi1 Yajñas (Esforços de Intelecção), para refletir sobre o processo de gestação da Grande Síntese -- a instituição destinada a abrigar o Śuddha Sabha Ātma, o núcleo responsável pela concepção da Universidade do Coração. Os registros destes encontros, na verdade, nada além de um rascunho das minhas notas pessoais sobre os tópicos tratados, fazem parte do acervo da Grande Síntese e uma cópia digitalizada dos mesmos pode ser encontrada neste link.


Passados trinta anos, decidi agora gravar em vídeo a leitura destes manuscritos, eventualmente, comentando sobre um ou outro detalhe, conforme se vê nos vídeos que se seguem. A força, o poder e a atualidade de vários conceitos e temas explorados nos textos não vêm da minha pena, nem desta leitura de agora, mas, basicamente, das verdades vivas experimentadas, na prática, pelo grupo do Ashram Ātma àquela época, em função do exemplo de Francisco Barreto e do seu ardor do coração que já nos contagiava a todos. Cabe destacar que, se os temas tratados naqueles encontros hoje parecem quase corriqueiros, àquela época eram praticamente desconhecidos. 

(1) Para conhecer a pronúncia das palavras sânscritas veja o nosso resumo do Guia de Transliteração e Pronúncia das palavras sânscritas.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

031. Cozinhando com o Coração

Estrogonofe de Palmito
RECEITAS DA SEMANA: Estrogonofe de palmito e cogumelo, Batata doce assada, Arroz integral simples, Gersal, Suco de abacaxi com coentro e óleo de coco.

1. Estrogonofe de palmito e cogumelo (vegano)

O palmito é um alimento de baixas calorias e rico em potássio, substância que ajuda a manter controlada a pressão arterial, além de ajudar contra a retenção de líquidos. Por ser rico em fibras o palmito contribui para um excelente funcionamento do intestino. Além disso, é rico em cálcio e ferro, importantes para a formação dos tecidos e para a manutenção dos ossos. 

domingo, 27 de maio de 2018

Bhagavad Gitā: A Sublime Canção sobre a Arte e a Ciência da Contemplação

A Arte e a Ciência da Meditação segundo a Bhagavad Gītā
No final do ano passado participei do Primeiro Congresso dos Colaboradores Anônimos da Universidade do Coração, realizado entre 30 de dezembro e 01 de janeiro de 2018, na Fazenda Mãe Natureza – SE.  Minha apresentação teve como título, Mahābhārata: A história da manifestação do śuddha dharma (ver aqui).

O Mahābhārata desenvolve-se em torno de quatro (ou cinco) propósitos humanos, ou eixos principais de reflexão, conhecidos como Puruṣārthas e explicitados no próprio corpo do texto (MBh 1.2.83):

1. o princípio universal de sustentação do universo: dharma;
2. a arte de governar a si mesmo e de relacionar-se em grupo: artha;
3. a natureza do desejo: kāma; e
4. a via da realização humana: mokṣa e brahma-prāpti.

sábado, 28 de abril de 2018

030. Cozinhando com o Coração

Conserva de pimenta Dedo de Moça
RECEITAS DA SEMANA: Conserva de pimenta Dedo de Moça, Feijão refogado, Almôndega de tofu, Bertalha, Patê de cenoura e Castanha de caju.


1. Conserva de pimenta Dedo de Moça (vegana)

A Pimenta Dedo de Moça, da família Capsicum Baccatum, é uma das pimentas mais consumidas no Brasil, estando no grupo das preferidas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Ela também recebe o nome  de Chifre de veado, Pimenta Vermelha ou Pimenta Calabresa. A conserva que iremos ensinar, dica da minha irmã Andréa Curan,  possui uma picância que varia de suave a mediana, o que a torna adequada para temperar azeitonas e molhos em geral. Entretanto, pode ser adicionada também ao feijão, acrescentando a ele um aroma delicioso.  A conserva de Pimenta Dedo de Moça possui inúmeros benefícios, dentre eles: função analgésica, anti-inflamatória, energética, estimulante, vitaminas, controle de colesterol, entre outros. 

terça-feira, 24 de abril de 2018

O que é a Prática do Bhāvana?

Na prática do Bhāvana procura-se externar o sentimento de unidade que decorre da meditação e se aperfeiçoa com ela.  O Bhāvana representa, portanto, o reconhecimento da presença, em todas as coisas, da Essência do Sagrado. "Bhāvana" (adjetivo) e "bhāvanā" (substantivo feminino) designam um conceito central dos textos sagrados da Índia, presente nos idiomas sânscrito e páli (bastante similar ao sânscrito) com o significado de "cultivo" ou "desenvolvimento", no sentido de se trazer algo à existência.  Ambos os termos indicam a ideia de desenvolvimento mental e contemplação. Empregados originalmente no campo da agricultura, designavam o cultivo da terra. Buda os utilizou para explicar como cultivar a meditação. Uma ideia que é cultivada, ou seja, colocada em prática com o devido fervor, tem mais valor que outra que permanece apenas como uma abstração teórica.  A meditação deveria ser cultivada por todos, não importando o estágio em que cada um se encontrasse de início.

terça-feira, 17 de abril de 2018

A Via do Coração: Devoção, Impessoalidade, Religião e Espiritualidade

Francisco Barreto, instantes antes do início da cerimônia de consagraçào do Ashram Brahmala (08.04.18)
Francisco Barreto, instantes antes do início
da cerimônia de consagraçào do
Ashram Brahmala
(08.04.18)
Depois da organização de um evento, quase ninguém se ocupa em refletir sobre as etapas e os desdobramentos conceituais do processo da sua realização.  É esta reflexão, relativa ao evento que culminou com o encontro realizado no último domingo (15.04.18) com Francisco Barreto, intitulado a Via do Coração, que será objeto do presente artigo.

1. Da gestação à materialização de mais uma etapa do plano diretor que rege a implementação da futura Universidade do Coração

Qual dos idealizadores e/ou participantes da organização de um evento se recorda como se deu o seu envolvimento com as distintas etapas do seu processo de elaboração? No caso do evento encerrado no último domingo, tudo começou com a iniciativa de Francisco, de gestar em sua mente esta viagem ao Rio, com todos os seus percalços, dificuldades e acertos, em meados de março. De minha parte, tenho consciência que a minha participação iniciou-se com o convite que recebi de um dos integrantes do grupo de Niterói, no dia 19 de março, logo após a reunião com os colaboradores anônimos da Universidade do Coração, conduzida por Francisco, via Skype, para ir conhecer o espaço que abrigaria o novo Ashram afiliado da instituição. Eu tinha consciência que o estabelecimento do Ashram Brahmala representava uma das principais motivações para a visita de Francisco. Era necessário consagrar aquele espaço e preparar as pessoas que ficariam incumbidas de levar adiante a árdua tarefa de viver e difundir os nobres ideais da realização espiritual, difundidos pela Grande Síntese, órgão mantenedor da futura Universidade do Coração.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Os fundamentos e as origens do vegetarianismo e do veganismo

A Opção pelo vegetarianismo desde a infância (1966)
Discuto neste artigo a tese do fundador do veganismo, Donald Watson (1910 - 2005), de que o vegetarianismo seria um mero estágio para o veganismo e que se você é vegetariano falta ascender um degrau para se tornar vegano. Procuro demonstrar que não é de todo verdade que o veganismo surgiu do aprofundamento do vegetarianismo, culminando numa maior coerência para com os direitos dos seres vivos. Argumento que o vegetarianismo funda-se em uma forma de ativismo que está para o Flower Power (Poder da Flor), assim como o veganismo está para o movimento Post-punk (Pós-punk). O vegetarianismo, diferentemente do veganismo, nunca busca o confronto, pois funda-se em um sistema milenar de valores morais e éticos, derivados de princípios espiritualistas, tanto orientais como ocidentais, sem nenhuma conotação de pregação e conversão. Já o veganismo é um fenômeno recente e ocidental. Trata-se de uma invenção inglesa do século passado e, neste sentido, apenas expressa uma modalidade ainda juvenil desta prática altruísta milenar representada pelo vegetarianismo. Como procuro demonstrar, ser vegetariano sempre implicou ter compaixão pelos animais e, principalmente, pelos seres humanos não-vegetarianos (não quero aqui utilizar o termo "carnista", que, além de tradicionalmente não fazer parte do vocabulário dos autênticos vegetarianos, me parece um pouco ofensivo). Ser vegetariano implica, sobretudo, a atitude inclusiva, que acolhe e respeita a diversidade e o direito do outro de ser diferente. A tolerância, a capacidade de adaptação e o respeito à diferença e à condição do outro, são características dos pioneiros vegetarianos e não, pelo menos até o presente, dos modernos veganos, que se dispõem a toda a sorte de violência em forma de ativismo, impondo-se dessa maneira, é verdade, com maior força na mídia, uma vez que favorecidos pelos novos tempos, agora muito mais propícios aos valores gestados no passado pelos vegetarianos.