2026-02-15

O Fio de Ariadne na Genética do Espírito: O Reconhecimento da Pitṛ-ṛṇa

Nota Introdutória: Este registro encerra as reflexões sobre a Pitṛ-ṛṇa (dívida com os ancestrais), integrando um achado recente que ilumina a travessia descrita neste capítulo. Mais do que um resgate histórico, trata-se de um testemunho de como o Śraddhā Yoga se manifesta como uma memória viva, confirmando que os laços de família são, em última análise, reencontros de propósitos espirituais.
Receber o livro As Grandes Indagações,  escrito por meu tio Paulo Barretto aos 91 anos, e lançado no final de 2024, foi mais do que um presente; foi um choque de reconhecimento ontológico. Ao ler suas reflexões sobre o monismo, a sintonia entre ciência e religião e a defesa ética do vegetarianismo, percebi que as águas que alimentam o meu Śraddhā Yoga já corriam, com igual vigor, em solo ancestral. O que torna esse encontro extraordinário é o fato de que quase não tivemos contato ao longo da vida; não houve mimetismo ou influência direta, mas o "eixo" é o mesmo. Esse reconhecimento é, para mim, um dado de darśana: não uma ideia sobre a unidade, mas um traço do real que se mostra — como se a linhagem fosse um dos modos pelos quais o Hṛdaya-Guru confirma a direção. Onde ele vê a "Queda e o Retorno" do espírito, eu vejo a Entropia e a Sintropia da consciência. Onde ele aponta o elétron como ponte para o invisível, eu busco a Consciência Fractal.

2026-02-10

Contemplação e Amor — A Arte e a Ciência do Amor em Ação

(Ensaio de convergência Oriente–Ocidente)
Entre as palavras, algumas descrevem o que fazemos, outras o que pensamos. E há aquelas, raras, que nomeiam o que somos. Contemplação e amor são desse tecido íntimo: estados do ser. Este ensaio emerge para articular, com rigor, um reconhecimento ancestral: o conhecimento mais alto não é acumulação, mas assentimento do coração ao real — um assentimento que, em sua maturidade, floresce inevitavelmente como amor em ação.

2026-02-09

Meditação e Contemplação — Uma Distinção Ontológica

(Nota Metodológica do Śraddhā Yoga)

O termo 'meditação' sofreu no uso contemporâneo um empobrecimento ontológico. Reduzido a técnica psicológica, método de relaxamento ou, no máximo, a práticas budistas específicas, seu sentido foi deslocado do eixo que o sustentava nas tradições de sabedoria. Esta redução não é meramente semântica ou conceitual; ela é, fundamentalmente, ontológica. Ao empobrecer o sentido da prática, obscurece-se a própria compreensão do ser humano que a realiza. O Śraddhā Yoga propõe-se, assim, a uma tarefa de restauração do eixo — e para isso, estabelece uma distinção metodológica fundamental.