segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Celebração de Natal

Quem não puder, em meditação, experimentar da verdade expressa no mantra ocidental "Eu e o Pai somos Um", que pesquise mais profundamente em seu próprio coração a causa de tamanha separatividade da grande família, que representa, na verdade, uma sentença de exclusão -- e imposta por si mesmo.  O Natal tem que se dar em nosso coração. É desta celebração, tão somente, que poderá advir a paz no mundo – a paz na família; a paz entre as famílias; a paz com o Islã e a paz entre todas as nações, conforme a mensagem e o desejo daquele que deu a sua vida pelo ideal de nos fazer irmãos.
Hoje celebramos o nascimento do bendito fruto do ventre de Maria, venerada como a Mãe de Deus e honrada por seu casamento judaico com José, aquele de quem aprendemos que pai, independentemente de ser, ou não, o genitor é quem cuida amorosamente dos filhos. Quando um casamento desta natureza ocorre, muitos desafios e dificuldades se apresentam, pois sua base é o mais sublime amor, que por ser puro, transcende e supera as demais leis e normas culturais, sempre efêmeras e passageiras. 

O exemplo supremo desta forma de amor sublime foi dado pelo Filho de José e Maria que, ao abraçar e se casar com o mundo, nos revelou como é possível reconhecer a todos como irmãos e filhos de um mesmo Pai. Ainda hoje é difícil compreender e aceitar a sua radicalidade ao esposar os gentios e afirmar não ver nisto traição à Torá, que esposara desde cedo e jamais abandonou. Conforme ele mesmo admite, não veio para trair a Torá, mas para honrá-la e respeitá-la.  A Boa Nova do seu relacionamento fraterno com os gentios centra-se na pureza do seu amor. Não era, portanto, de se esperar que este relacionamento amoroso fosse visto pelos seus seguidores e também pelos críticos como rejeição às suas origens (e traição, inclusive, à religião dos seus pais), pois onde há amor puro e divino, não pode haver mácula ou erro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Coração Tranquilo: ressignificando a Haṃsa Tattoo

Hoje faz seis meses que viajei para São Paulo para realizar a segunda cirurgia. Saímos cedo e fomos para o apartamento de minha mãe. Almoçamos no restaurante vegano Annaprem e seguimos para o ICESP.  Foi nesta cirurgia que ganhei a minha "Haṃsa Tattoo". O vídeo abaixo ilustra o que ela significa para mim: "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo", como  diz o mantra do socialista zen Walter Franco.


A cicatriz que carrego no pescoço é a minha Haṃsa Tattoo, a "tatuagem" que me indica a presença do sagrado alento vital neste corpo do qual me nutro. Ela me protege e abençoa, pois salvou a minha vida e me permite continuar trabalhando pela minha realização e daqueles que me são próximos.

Este Diário é a bússola anti-psicanalítica de que me valho para alcançar o porto seguro do Ser.
Ela representa a minha Ṛṣi-nyāsa1 -- ou seja, a minha disciplina de internalização e incorporação (nyāsa) do ideal de unificação com a esfera dos seres divinos e santos (Ṛṣi). Sempre que caio distraído e necessitado, basta-me lembrar desta sagrada cicatriz e já me alinho, em sintonia e sob o amparo e proteção da Graça Suprema. Ela é o registro histórico de uma iniciação pela dor, como o são,  em sua maioria, os ritos de passagem -- o maior de todos representado pela própria morte (ritos de Śrāddha). Simboliza a advertência contida em Luz no Caminho, de Mabel Collins, de que "Antes que a voz possa falar em presença dos Mestres, deve ter perdido a possibilidade de ferir".  Este tema está magistralmente ilustrado no vídeo abaixo, que exemplifica esta disciplina ióguica de manter o coração tranquilo. O vídeo traz participação de Walter Franco no programa do Jô, em 1990. Walter Franco canta um mantra de sua autoria que nos convida, inclusive, a transcender a  todo o "ódio ideológico", que impede "que este país volte a ter alegria".


(1) Para conhecer a pronúncia das palavras sânscritas veja o nosso resumo do Guia de Transliteração e Pronúncia das palavras sânscritas.

Próximo texto: Docudrama: um roteiro para a história de descoberta do sentido paradigmático de śraddhā
Texto inicial: O Caminho do Coração: Livro-Blog no ar sob a égide de Śraddhā

Rio de Janeiro, 01.12.16.
(Atualizado em 06.04.18)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

UNIVERSIDADE ŚUDDHA: Repensando a universidade com o coração

Viemos, Cássia e eu,  testemunhar o VIII Seminário Internacional e IX Assembléia Geral do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras & Primeiro Encontro de Reitores Brasil–Itália, na Università di Parma – Itália, que aconteceu de 24 a 28 de outubro de 2016. O Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB) foi constituído em 27 de novembro de 2008, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Coimbra. É composto por um conjunto de 72 instituições associadas, com 51 Universidades Federais, 15 Universidades Estaduais e 6 Universidades Comunitárias e Confessionais.

Este encontro no país onde foi cunhado o termo "universidade" contou com a  a participação de 54 reitores. No dia 25, o Reitor Loris Borghi (Università di Parma) realizou o discurso de abertura, transmitido ao vivo pelo link https://www.youtube.com/watch?v=TYt8MgFocJc. Entre as autoridades presentes, a Ministra da Educação da Itália, Stefania Giannini, e o Embaixador do Brasil em Roma, Ricardo Neiva Tavares.

sábado, 15 de outubro de 2016

O Caminho do Coração: Livro-Blog no ar sob a égide de Śraddhā

Primeira tese de filosofia sobre a  Bhagavad Gītā
Livro publicado a partir da tese de doutorado
e que fundamenta este Livro-Blog sobre a
Arte e a Ciência da Meditação.
Este Livro-Blog é um instrumento de reflexão sobre a Arte e a Ciência da Meditação, desenvolvidas na Bhagavad Gītā1 a partir de śraddhā – a bússola interior; a convicção íntima; o sentimento de conexão com o sagrado; o ardor e o poder do coração que fortalecem a vontade empoderando tudo o mais; e a amorosa luz do coração que ilumina e dá foco à razão. Śraddhā representa o Princípio da Confiança e da Prudência expresso no cogito cartesiano. Representa a razão esclarecida pelo coração tranquilo e pelo sorriso interior que orientam e aferem a conduta do herói em sua jornada. Denota, portanto, o processo racional e dialético de superação da vontade e da fé exterior, esta entendida como um estado de espera pelo encontro com as verdades últimas e o sagrado revelado nas Escrituras.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A caracterização do lar a partir da iconografia doméstica


Compartilho a apresentação História da Vida Privada no Brasil que traz uma serie de slides bem interessantes.

Vi neste pequeno trabalho escolar uma oportunidade para tratar de um assunto  pouco explorado. Em geral prestamos pouca atenção à relação entre os conceitos de "ambiente", "ambiente doméstico" e "meio ambiente". Quando muito, nos ocupamos do "meio-ambiente", e não nos damos conta de que este reflete e é reflexo do ambiente doméstico. Cada período da história tem o seu próprio ambiente onde os seres se ambientam, interferindo e sofrendo interferências do meio-ambiente. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Natureza Humana



Este programa gravado em 1971 para a televisão holandesa ilustra de forma magnífica a complexidade do tema da natureza humana.  Chomsky e  Foucault defendem pontos de vista diametralmente opostos com elegância e clareza.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Coração Tranquilo


Como disse o socialista zen Walter Franco no programa do Jô (1990): "Eu condeno o ódio ideológico" ... "Para que este país volte a ter alegria"..."Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo"...

O Fogo Ardente do Coração

"Keepers of the Flame" (Guardiões da Chama)O poema animado abaixo, "Keepers of the Flame" (Guardiões da Chama), de Paul Reynolds, enaltece o ideal da espiritualidade pura, buscado por educadores representantes das mais distintas religiões e tradições. É um tributo a educadores como Dom Bosco (1815-1888), padroeiro de Brasília e fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, por exemplo, que exerceu com maestria a sua função pedagógica de despertar a chama interior dos estudantes. A vida espiritual de Dom Bosco foi toda orientada pelos seus sonhos com esfera da espiritualidade pura. E o poema de Reynolds é uma Ode a esta mesma espiritualidade. Mostra com clareza que não é necessário pertencer, especificamente, a nenhuma instituição religiosa, para acender e manter acesa a chama interior e o ardor do coração que definem a espiritualidade cristã (Lucas 24:32).