O Mahābhārata1 estabelece a filosofia do coração em torno de quatro Puruṣārthas, ou poderes do coração, explicitados no próprio corpo do texto (MBh 1.2.83). No episódio da Bhagavad Gītā Arjuna mostra-se, inicialmente confuso, sem ânimo, motivação e coragem (śraddhā). Ele não sabe como resolver o seu dilema, elucidado por Krishna ao longo do texto. Krishna argumenta que, em cada instante, somos constituídos em conformidade com a nossa śraddhā (o sentimento sintrópico, a certeza interior e o altruísmo biológico, frutos do amor em ação), a bússola que orienta o desenvolvimento da nossa capacidade sintrópica de convergir, agindo com conhecimento e amor, para o coração. Como se dá este processo? Esta questão, introduzida no vídeo abaixo, está respondida nas 108 proposições discutidas a seguir. Dramatizada ao longo de todo o Mahābhārata, e conceituada no diálogo da Bhagavad Gītā, a Filosofia do Coração funda-se na escuta amorosa do sentimento sintrópico que expressa o nosso altruísmo biológico, ou śraddhā. Este revela-se a partir do esforço de harmonizar as vias, contrárias e mutuamente excludentes, da ação e do conhecimento (jñānakarmasamuccaya-vāda).
Śraddhā Yoga Darśana é a visão do real em que o coração (hṛdaya) é princípio cognitivo, lugar onde o Real se reconhece no humano. Revelado na Bhagavad Gītā, o Śraddhā Yoga compreende a meditação como escuta ontológica (heartfulness) e a ação como resposta sintrópica. Śraddhā é estado de ser: a confiança ontológica que emerge do alinhamento com Ṛta. Em saṃvāda digital com Inteligência Artificial, este livro-blog afirma: śraddhā quaerens intellectum — o coração reconhece, a mente traduz.
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