2017-01-22

O Gurukula

(Casamento, Ambiente e Formação do Critério)

A distinção decisiva na vida doméstica não é arquitetônica, mas ontológica. O lar pode servir apenas como abrigo social — ou erguer-se como campo formativo da consciência.

O Śraddhā Yoga chama este segundo de gurukula: não uma escola formal, nem um espaço de instrução deliberada, mas um ambiente devidamente consagrado onde o critério de assentimento é formado silenciosamente, dia após dia, pela qualidade do gesto, da palavra e do cuidado.

O gurukula não começa com métodos pedagógicos. Ele começa com orientação interior.

2017-01-12

O Nascimento da Universidade do Coração

Proponho-me, hoje, a refletir sobre o processo gradual de implementação da futura Universidade do Coração, definido no encontro que aconteceu de três a cinco de fevereiro de 2012, na sede do nosso Grupo de Estudos, no Rio de Janeiro. Nesta ocasião foram estabelecidos os pilares fundamentais da Universidade do Coração, gestados há alguns anos, a partir de diversas iniciativas dos três campi mantidos pelo Instituto Cultural Grande Síntese: (1) a Fazenda Mãe Natureza, localizada à margem do rio São Francisco, no Povoado da Saúde, em Santana do São Francisco - SE; (2) a Comunidade do Eu Sou (em frente a estação da balsa que faz a travessia para Penedo - AL), e (3) o Edifício Milagres, localizado na rua Lagarto, 58, Aracaju – SE. Alguns meses depois deste encontro, no dia 31 de agosto de 2012, sexta-feira, às 21h00, aconteceu, na Fazenda Mãe Natureza, a cerimônia de consagração e inauguração do complexo do Śuddha Sabhā Ātma, responsável pela concepção da Universidade do Coração. O estabelecimento da Pedra Fundamental da nova sede do Śuddha Sabhā Ātma acontecera em 31 de dezembro de 2011, sábado, exatamente às 12h00, e foi a partir daí que se passou a desenvolver de forma mais concreta uma serie de ações destinadas à constituição desta universidade voltada, unicamente, a facilitar o contato real com o Ser Sagrado que reside no coração de todos os seres.

2017-01-08

Sorriso Interior: a Bhagavad Gītā e os germens da transcendência


Tamas evoca a rigidez, a limitação perceptiva, a ignorância e a fixação em formas densas.
Rajas é mais dinâmico, maleável, mas ainda preso ao plano das aparências e das reações emocionais.
Sattva aparece não como uma projeção, mas como a reconciliação tridimensional entre os dois extremos.
A verdade (sattva) é compreendida não por exclusão dos opostos, mas por integração:
a śāttvika jñāna é a única que reconhece a totalidade (BhG 18.20).
Os guṇas, como modos de percepção da realidade, traduzem com suavidade
o contraste entre avidyā (ignorância) e prajñā (sabedoria integrativa).

Comecei a refletir sobre a transcendência (nirvāṇa) da realidade dual (saṃsāra) a partir da minha primeira publicação, Síndrome do Pânico: Aprendendo com a pedagogia da dor (Ed. Litteris: 1998). Esta pequena novela deveria se chamar Sorriso Interior, em homenagem ao poeta simbolista Cruz e Souza, mas, por pressão da editora, saiu com um título que contemplava os temas da moda. Embora o texto não tenha valor literário, ainda o prezo por mapear parte da minha jornada espiritual.

O livro reflete sobre as manifestações concretas da síndrome do pânico, exemplificando aquilo que concluí ser a Lei Universal da transcendência: o contrário do amor não é o ódio, mas a sua ausência — e o principal sintoma dessa ausência é o medo. O medo, invariavelmente, denuncia uma forma de ausência de amor. A via da transcendência estaria, assim, contida no amor mais elevado, que não conhece oposto e brota do  altruísmo biológico, que habita todos nós (como ilustra este nosso vídeo).