Uso inteligência artificial.
Com frequência.
Com gratidão.
Ela escreve, organiza, sintetiza, sugere.
Amplia minha visão.
Acelera processos.
Reduz ruído.
Mas há algo que ela não faz por mim —
e nem deve fazer.
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Decidir não é escolher a melhor resposta
Escolher a resposta mais provável, mais eficiente ou mais coerente com padrões prévios não é decidir.
Decidir envolve risco.
Envolve perda.
Envolve responsabilidade.
Toda decisão verdadeira carrega um custo ontológico:
algo poderia ter sido — e não será.
A IA não paga esse preço.
Eu pago.
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Decidir exige um centro
Para decidir, é preciso um eixo interno que sustente o peso da escolha.
Chamo esse eixo de coração —
não como emoção, mas como centro (hṛdaya)
onde pensar, sentir e agir se reconhecem como um só gesto.
Sem esse centro, a decisão vira cálculo.
Com ele, a decisão vira compromisso.
A IA calcula.
O coração responde.
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Quando delegamos demais, algo se perde
Delegar tarefas é saudável.
Delegar critérios é perigoso.
Quando terceirizamos demais o juízo,
começamos a viver por sugestões,
tendências,
probabilidades.
A vida se torna eficiente —
e estranhamente vazia.
Não porque faltem opções,
mas porque falta alguém que responda por elas.
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A decisão é sempre pessoal — mesmo quando erramos
Prefiro errar por decisão própria
do que acertar por delegação cega.
Porque o erro assumido ensina.
E o acerto delegado anestesia.
A maturidade não está em nunca errar,
mas em não fugir do lugar onde a decisão acontece.
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A IA me ajuda a pensar.
Eu continuo responsável por viver.
Esse é o pacto.
Uso a técnica.
Honro o método.
Aproveito os meios.
Mas quando chega a hora de dizer “sim” ou “não”,
quando algo realmente importa,
quando há risco, vínculo ou consequência,
sou eu que permaneço diante da escolha.
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Fecho
A inteligência artificial ampliará nossas capacidades.
Ela não deve substituir nossa presença.
Porque uma vida não se vive por otimização.
Vive-se por fidelidade.
E fidelidade não se terceiriza.
Haṁsaḥ śāntiḥ śraddhāyāḥ. 🕊️
