A Ética que Nasce do Coração
A escuta, quando amadurecida, transborda os limites do interior. O que era percepção silenciosa converte-se em gesto, escolha, modo de habitar o mundo. É nesse transbordamento que a ética verdadeiramente nasce — não como regra imposta, mas como expressão orgânica de um coração que finalmente aprendeu a ouvir. Aqui, “coração” não designa o domínio das emoções, mas aquilo que a tradição chama de hṛdaya: o centro ontológico onde conhecer, sentir e agir não se separam, e onde o real se reconhece a si mesmo antes de qualquer formulação conceitual.
Essa ética não brota da obediência, mas da coerência. Não se funda no medo, mas na intimidade conquistada com o real. Um coração tornado lúcido descobre que agir de outro modo seria impossível — não por imperativo do dever, mas por uma profunda sensação de incongruência. A ação ética, assim, deixa de ser sacrifício para tornar-se a continuidade natural do entendimento.



































