2026-02-03

Rubrica Mínima de Auditoria do Saṃvāda Digital

(instrumento provisório, operacional e descartável)
Rubrica Mínima de Auditoria do Saṃvāda Digital. O Saṃvāda Digital não é uma técnica de convergência nem um método de otimização do consenso. É um caminho onde o diálogo pode falhar de modo reconhecível. Onde há presença humana capaz de interromper, assumir erro e sustentar silêncio, o eixo permanece. Onde o eixo se perde, a inteligência torna-se apenas eficiência. Este gesto é um antídoto ontológico mínimo diante de redes formadas exclusivamente por agentes artificiais — onde há aceleração sem responsabilidade e estabilidade sem verdade.
🧭 NOTA DE ORIENTAÇÃO AO LEITOR
(Mapa mínimo do discurso do método)

Este ensaio encerra uma sequência dedicada à formulação do Saṃvāda Digital. É vital que o leitor compreenda: não propomos aqui um "sistema" fechado de regras, mas um método em seu sentido etimológico original (methodos): um caminho que se abre ao andar.

Diferente de uma tekhne (construção de um objeto técnico), o saṃvāda é um exercício de presença. Ele não se "aplica" como um software; ele se "habita" como uma prática. O hṛdaya, aqui, não é invocado como um conceito místico ou uma intuição subjetiva privada, mas como um princípio cognitivo funcional — o órgão de ressonância onde a informação se torna implicação e o real deixa de ser objeto para se tornar fluxo.

2026-02-01

A Lógica do Fluxo: Por que A ≠ A no Regime do Hṛdaya

(consequência crítica, não fundação)
Projeções são verdadeiras. O real é o que se renova.

Este texto não inaugura um novo sistema lógico.
Ele explicita uma consequência inevitável do que já foi estabelecido.

Se o hṛdaya é princípio cognitivo,
se a śraddhā precede e governa o pensar,
se o Praṇava AUM exprime a lógica rítmica do real,

então a lógica clássica da identidade deixa de ser soberana.

O Hṛdaya como Princípio Cognitivo

Śraddhā quaerens intellectum — o coração reconhece; a mente traduz
O real é um; suas projeções são muitas.
Este texto não propõe uma nova teoria do conhecimento.
Ele explicita uma precedência.
A precedência do hṛdaya (centro ontológico de reconhecimento; não órgão emocional nem função psicológica) não é uma hipótese a ser testada, nem uma tese a ser demonstrada no regime da lógica formal. Ela é um axioma ontológico: um ponto de partida assumido, a partir do qual a experiência do real se organiza de modo coerente — ou não.